O Yoga e a sua dinâmica – texto Abril de 2011

Quais são as perspectivas do Yoga hoje?

O Yoga pode perfeitamente adaptar-se ao mundo moderno. O Yoga pode ser uma solução para inúmeros problemas numa situação de crise. Sem nada perder da sua autenticidade, o Yoga adapta-se a nós. O yoga é considerado um tesouro da humanidade. Está à nossa disposição, a fim de nos permitir evoluir segundo a nossa própria personalidade e as circunstâncias nas quais somos levados a viver.

Hoje em dia todos falam de Yoga mas bem poucos o conhecem realmente. «O» Yoga passa por vezes por ser uma simples ginástica tranquila. «Eu faço Yoga», diz um; «Eu faço Zen» diz outro, «Eu faço relaxação» dirá um terceiro. Assim que falamos de Yoga, ou «do Yoga», a questão coloca-se: de que forma de Yoga queremos falar? A simples ginástica que referimos não é mais do que um dos aspectos de uma das formas possíveis de disciplina «yoguica».

O Yoga é sobretudo compreensão. Para compreender fundamentalmente o homem, o saber é uma coisa, certamente louvável, mas a compreensão é uma outra, bem mais surpreendente. Aqueles que ouviram falar do Yoga de uma maneira superficial têm ideias muito vagas sobre O assunto! Mesmo os que têm alguns conhecimentos desta ciência antiga e que a praticam acham difícii de compreender algumas verdades evidentes: de facto, algumas das ideias expostas nesta reflexão podem parecer novas e com toda a probabilidade acabam com muitas das teorias favoritas de alguns professores de Yoga.

Que novas perspectivas são estas?

  1. Não é essencial deixar a sua casa e ir para um local solitário para praticar Yoga, nem viver num ashram na Índia. Se querem praticar Yoga é preciso ter atenção ao sectarismo. É tempo também de desmontar a crença de que os monges ou aqueles que renunciam à vida mundana (sannyasins) são os únicos aptos a praticar o verdadeiro Yoga.
  2. As relações matrimoniais não apresentam nenhum obstáculo à prática do verdadeiro Yoga.
  3. Os não-vegetarianos não precisam de renunciar ao seu regime alimentar só porque praticam Yoga.

O Mestre deve ser escolhido com prudência. Ele poderá não estar ainda pronto… mas desde que haja procura há oferta. O Mestre é um discípulo capaz de comunicar a outro discípulo a sua paixão pela procura e a sua modéstia. O Mestre, idealmente, é um irmão mais velho. Mas não é sempre assim. Alguns mestres que não O são, não pensam senão em submeter quem procura, e daí deriva por vezes o sectarismo. Mas felizmente as grandes formas de Yoga e O Hata Yoga recolocam-nos os pés na terra.

O real objectivo do Yoga é verdadeiramente o de atingir a paz e a tranquilidade interior. Para O conseguir, não há necessidade de renunciar á vossa forma de vida. O Yoga não é urna fuga perante a realidade. Fugir das dificuldades da vida não é um caminho para a libertação. O campo de batalha da vida não é ilusório, como nos ensina a Bhagavad Gita.

O Yoga é prático. Não creiam nem um instante que a posição de um pai de família é inferior à de um monge ou de alguém que renunciou ao mundo. O Yoga não é uma casta. Nenhuma mulher deve pensar que a sua posição social é inferior á do homem. O Yoga tem um papel específico a desempenhar no mundo de hoje. Somente a sua prática pode suprimir as dores mentais e físicas.

O Yoga não exige condições extraordinárias de auto-disciplina. Não devemos no entanto tronarmos-nos escravos dos nossos desejos. Aqueles que praticam sinceramente o Yoga, estão calmos corno o oceano que recebe as águas turbulentas dos rios tumultuosos. Embora desfrutando das satisfações dos sentidos, o Yogui vela para que não tombe sob o seu império. É inútil desprezar a vida. O heroísmo consiste em manter a calma no tumulto da vida.

O Yoga é uma ciência absolutamente racional que pode aproveitar a todos, em todas as circunstâncias da vida. A idade não é um obstáculo, não há limite, qualquer um pode aprender Yoga. Yoga não significa apenas «Ashtanga Yoga» (Yoga das oito vias) descrito nos textos de Patanjali. O «Karma Yoga», Yoga da acção baseado nos ensinamentos da Bhagavad Gita, O «Bhakti Yoga», Yoga da devoção, o «mana Yoga», Yoga do conhecimento, o «Nada Yoga», Yoga do som, são os múltiplos aspectos do Yoga. A música é parte integrante. O Bhakti Yoga tem um efeito calmante sobre as emoções acumuladas por um espírito agitado.

Porquê ir tão longe? A própria vida é Yoga. O nosso trabalho quotidiano é Yoga. O campo de acção é vasto e aliciante. Deixemos o Yoga agir em nós e transformar a nossa existência. Por entre as armadilhas da vida, é impossível separar-se da realidade. O Yoga não tem nada a fazer na cultura das virtudes impossíveis. Faremos melhor em deixar isso aos moralistas. O Yoga é uma ciência racional cujas técnicas apaziguam a flutuação mental (chítta vrítti nirhoda) conservando as energias física e mental_ Ele poderá ser o nosso jardim secreto. Numa palavra, o Yoga visa desenvolver a nossa personalidade. O homem não deverá ser meramente intelectual, não deverá ser somente do tipo emotivo. Deverá ser uma mistura feliz dos dois, caso contrário não terá paz na sua existência.

A palavra Yoga tem um grande significado. Deriva da raiz sânscrita «yug» (unidade). Yoga significa união, identificação. Identificar-se com as alegrias e tristezas de todos, expandir os nossos horizontes, viver acima das mesquinharias da vida. Baudelaire dizia: “Viver acima dos miasmas mórbidos”. Se considerarem O Yoga neste sentido, ele deixa de ser individual. Assim, identificar-se-ão no plano emocional com aquilo que vos rodeia (o amor universal).

O Yoga traz tanto o bem-estar físico como O mental. Ele dirige-se à humanidade que sofre como uma benção sob a aparência de um tratamento psicossomático. Ele dirige-se àqueles que procuram a verdade como o caminho mais curto para encontrar Deus.

Na verdade o Yoga é um esquema de perfeição. Poderão considerá-lo como um programa, um método, uma filosofia, uma espiritualidade. É um programa na medida em que assume a forma de um movimento com objectivos e objectos definidos. Os exercícios do Yoga são metodicamente puros. Qualquer que seja a orientação espiritual de cada um. A meditação e outros exercícios podem sempre ser muito úteis. Poucos métodos de realização de auto-realização são tão universalmente válidos exequíveis.

Nós tomamos frequentemente decisões nobres, desejamos a auto-realização, aspiramos a ideais elevados. Mas, enfim, falta-nos frequentemente a vontade. É ainda preciso saber a diferença entre uma vontade forte e uma vontade doce. A vontade doce do Yoga convida-nos a não desenvolver uma dualidade na nossa personalidade. Alguns dão em público a aparência de uma grande vontade, mas na realidade têm uma tendência secreta para a fraqueza, é O seu conflito entre «eu» e o «Eu superior».

Será você verdadeiramente feliz?
Estará cheio de entusiasmo nas suas actividades quotidianas?
Quando as circunstâncias adversas ameaçam esmagá-lo, será que as ultrapassa com a cabeça equilibrada e uma segurança desconcertante?

Se não, venha para o Yoga.

Georges Stobbaerts 23 de Abril de 2011

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