Carta Outono – Novembro 2008

Carta do Outono

Se o que fazemos é uma arte de viver, então é preciso aprender a viver ao ritmo das estações, o que é um excelente meio de estar em harmonia com a natureza.
Somos também um instrumento de música que é preciso afinar regularmente nesta sinfonia cósmica. Afinar o nosso ritmo de vida e a nossa consciência interior com o ritmo da natureza só nos pode trazer paz interior, equilíbrio e coragem na vida. Muito especialmente no Outono que marca uma grande mudança de ciclo entre a plena actividade solar do Verão e o período que se prepara de repouso, o Inverno. Este período é muito conhecido por certas medicinas tradicionais que o consideram difícil, em que, muitas vezes, após a euforia da «rentrée», aparece a depressão.
A estação do Outono é perigosa para o homem que se identifica com a energia exterior. É um período de combate pela luz, a fim de vencer as trevas. Simbolicamente, a energia da natureza retira-se para o interior da terra, ela interioriza-se. A energia solar, tão importante e vivificadora no Verão, diminui. Todo este movimento da natureza manifestar-se-á. A força que estava no exterior transfere-se para o interior.
Tal como o fruto se separa da árvore, tal como a semente se separa do fruto, a alma separa-se do corpo. O Outono é a hora da separação. Separa-se o espiritual do material. À maneira de uma triagem necessária, existe separação a fim de preparar uma vida nova. As árvores perdem as folhas e despem-se. É preciso saber rejeitar o que nos estorva. É preciso aprender a separarmo-nos de tudo o que não somos nós próprios. O Outono é também uma zona de passagem da semente e da renovação. Após a recolha do passado, de que a semente é símbolo, o Outono é a promessa do futuro. É preciso preparar a vida nova.
A vida é mudança de que não se deve ter medo! Não mudar é contrário à vida. Pessoas há que levam a vida sem mudar. E, ao fazê-lo, passam ao lado de uma vida plena, mais rica e mais viva.
Entre as mudanças mais determinantes e mais fecundas conta-se a do trabalho interior sobre si mesmo, como nos ensina a sabedoria. A aprendizagem através dos nossos movimentos e no aprofundamento do conhecimento de si que um enraizamento na realidade do sopro nos ensina permite aprender a deixarmo-nos conduzir sem medo a toda a mudança. Respondemos assim à verdadeira natureza do nosso ser: evoluir, amar, dar, partilhar, crescer…
Ousai pois a mudança sem medo.

Várzea de Sintra, 4 de Novembro de 2008
Georges Stobbaerts

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